domingo, 31 de outubro de 2010

Por que assim tão difícil? Por que assim tão duro, tão farpado? Ainda se a gente conseguisse chegar no fim com a alma limpa e olhos puros. Mas que jeito? Parece que tudo que se encontra pelo caminho empurra a gente pro lado de lá. E a gente vai na marra, meio aos trancos, pensando ser aquele o caminho melhor. Mas que garantia temos? Quem disse que é por aquele caminho e não esse? ... Como é difícil, meu Pai. Mas estou tentando. Dando o melhor de mim, sempre. Haja fé e coração forte pra aguentar tudo isso.

sábado, 30 de outubro de 2010

eis que um belo dia você acorda.. olha ao redor e vê que tudo foi só um sonho. você esfrega os olhos para ver se não sobraram resquícios dessa miragem, reluta e muitas vezes tenta voltar a dormir só para sonhar o mesmo sonho.. quantas vezes não desejamos isso? pena que conseguir não é tão fácil. o mundo dos sonhos é parte de um conjunto complexo de atos e ações da vida que não conseguimos explicar (ou alguns explicam e outros precisam ver para crer). eu sei que além dos sonhos queria enxergar nitidamente o que se tem além do horizonte.. (as vezes) mais ai meu lado racional volta e pensa: como seria se soubéssemos tudo ou conseguíssemos ver além do que nossos olhos humanos podem ver? uma vida previsível, uma vida dita, um livro contado antes de ler ou o resumo do filme, a você agrada? a mim não. prefiro o des ou o prazer das minhas descobertas, prefiro o mérito e o poder de opinião do que dizem as minhas leis, prefiro construir meu castelo com as pedras que vão jogando, ou dançar conforme a melodia.. eu prefiro a mim. acho que o maior culpado da infelicidade de alguém é esse próprio alguém. a felicidade não deve estar nos outros e sim na 1ª pessoa do singular. quando projetamos nossa felicidade ou esperamos retorno somos frustrados pois as pessoas não param seus mundos para viver em nossa função. a vida é mutável a vida gira também.. nossa felicidade pode ser vivida com o outro mais deve partir de nós mesmos.. se eu aprendi algo com meus erros foi isso.. não só, ou não completamente só.. mais quando mais precisamos soltam coisas no nosso ar que rapidamente pegamos e tomamos pra si, a vida é aprender, ou aprender é viver.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

sabe, andei pesando em mim.. pensando no meu querer.
descobri que quero viver, ser feliz, sentir o amor.
olhei todos meus passos, revi meus atos, relembrei meus conceitos. não cheguei a conclusão alguma. andei pelos mesmos caminhos, sobre as mesmas pegadas, sobre os mesmos solos, sobre as mesmas dores, senti saudades. saudades do que não posso abraçar, sentir o cheiro, ter nas mãos, olhar nos olhos, sentir o calor. por mais tempo que passe, sei que cada vez mais, aquele último abraço foi de despedida, e por mais anos que ganhe, mais dias se corram, ele, eu queria repetir, pelo menos mais uma vez, só para ter você aqui comigo e sentir o amor que seus olhos me passavam, a calma que sua presença me dava, o amor que por mim sentia. hoje mais do que nunca eu sei, que eu te amo, e por toda a minha existência te amarei.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro." (Clarisse Lispector)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

"Mudei muito, e não preciso que acreditem na minha mudança para que eu tenha mudado.
E, de qualquer forma, às cegas, às tontas, tenho feito o que acredito, do jeito talvez torto que sei fazer."

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

"Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que normalmente faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador - se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem para sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde, e que não tive vontade de nada, você vai reagir como? Você vai dizer "te anima" e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer para eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra. A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro da nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido. Depressão é coisa muito mais séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente - as razões têm essa mania de serem discretas."Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago de razão/ eu ando tão down..." Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. "Não quero te ver triste assim", sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Claro que é melhor ser alegre que ser triste, mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia. Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem por isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor - até que venha a próxima, normais que somos."

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

“Dói de todos os lados, os de fora, os de dentro, de baixo e de cima, nenhuma saída, e você meio cego, meio tonto, só sabe que tem que continuar, meio sem esperança, as ilusões despedaçadas, o coração taquicardíaco, língua seca, e continuando. Continuando. Resistimos, aos trancos, já nem sei se foi escolha ou solavanco. Difícil arrancar uma certa lucidez disso tudo. Mas sinto que o coração se depura (é tão antigo falar em coração...) um pouco mais, em cada porrada. Meu olho compreende cada vez mais.”

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

"Chega em mim sem medo, toca meu ombro, olha nos meus olhos, como nas canções do rádio. Depois me diz: “- Vamos embora para um lugar limpo. Deixe tudo como esta. Feche as portas, não pague as contas e nem conte a ninguém. Nada mais importa. Agora você me tem, agora eu tenho você. Nada mais importa. O resto? Ah, os restos são restos. E não importam. Mas seus livros, seus discos, quero perguntar, seus versos de rima rica? Mas meus livros, meus discos, meus versos de rima pobre? Não importa, não importa. Largo tudo. Venha comigo pra qualquer outro lugar. Triunfo, Tenerife, Paramaribo, Yokohama. Agora já. Peço e peço e não digo nada, mas peço peço diga, diga já, diga agora, diga assim. Você planeja partir para um país distante, sem mim, de onde muitos anos depois receberei a carta de um desconhecido com nome impronunciável anunciando a sua morte. Foi em Abril, dirá abril e maio. Ou Setembro, Outubro. Os mais cruéis dos meses. Tanto faz, já não importará depois de tanto tempo, numa cidade remota. (…) e vou dizendo lento, como quem tem medo de quebrar a rija perfeição das coisas, e vou dizendo leve, então, no teu ouvido duro, na tua alma fria, e vou dizendo leve, e vou dizendo longo sem pausa: – gosto muito de você, gosto muito de você!"

terça-feira, 19 de outubro de 2010

"suas idéias não correspondem aos fatos..."
Pouco a pouco o vento bagunça meu destino, falar de dor, de arrendimentos, erros, amor, brigas, já não convém, a felicidade que estava limitada, agora, se vê mais presente. O que dói? Dói e pronto, o que é amor? É amor e pronto, o que é bom? É bom e vamos aproveitar! Os erros? Lamentações não concertam(...)
As verdades que eu guardei, os devaneios que pelas ruas da cidade se perderam, as vezes que te exorcisei de mim, já são incontaveis! S-e-n-t-i-m-e-n-t-o, sentimento assim descrito com discrição, ou não, já não dói, já não trasborda alegria, já não me faz sorrir ou chorar, já está anestesiado por você.
Quem me derá ao menos uma vez, ver de perto, você usar a indiferença que diz existir, e sentir o quão real ela é. Porque por tempos eu consegui ter certeza de algumas coisas, algo em você bate por mim e como um imã me aproxima, a sua raiva consiste em pessoas que fizeram assim ser, e uma parte de você me exorcisa, porém não sei o quanto isso te preenche.
E ainda assim, sem saber o que fazer ou dizer, melhor fazer alguma coisa, por que fazer nada? É HIPOCRISIA. É fingir desamor, onde o amor existe, o amor? está ali, mas ainda falta alguma coisa.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa.
[Caio F. Abreu]

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

" Eu sei, eu sei, o eterno clichê "isso passa". Passa sim e, quando passar, algo muito mais triste vai acontecer: eu não vou mais te amar. É triste saber que um dia vou ver você passar e não sentir cada milímetro do meu corpo arder e enjoar. É triste saber que um dia vou ouvir sua voz ou olhar seu rosto e o resto do mundo não vai desaparecer. O fim do amor é ainda mais triste do que o nosso fim. Meu amor está cansado, surrado, ele quer me deixar para renascer depois, lindo e puro, em outro canto, mas eu não quero outro canto, eu quero insistir no nosso canto. Eu me agarro à beiradinha do meu amor, eu imploro pra que ele fique, ainda que doa mais do que cabe em mim, eu imploro pra que pelo menos esse amor que eu sinto por você não me deixe, pelo menos ele, ainda que insuportável, não desista.
[ Tati Bernardi ]

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Me dá um abraço? Quero esquecer a loucura do dia, a insanidade das pessoas, ironias e essa tal mania de achar que sendo leviano é tudo mais prático.
Quero dar algumas risadas, um pouco de atenção, preciso de pessoas que usem eufemismos para me dizer a verdade e deixem de omitir coisas importantes a mim com cinismo e sarcasmo, quero estar perto de ti para que meu mundo volte a girar no compasso certo, vem cá, seja assim, carinhoso, meigo, sincero com tudo que existe entre nós, afável. Assim nos teus braços poderei sentir aquilo de bom que me cerca, enquanto você me abraça a vida vira sorriso e agosto fica um mês mais leve de se levar.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

É aquela velha história. Amor, pra mim, só dura em liberdade. Nasci pra ser livre e - quem quiser - que me deixe assim. Tenho dois pares de asas, um desejo infinito no peito e um lado druida que não se cala. Sou escorpiana.Sou guerreira. .Quero sempre o vôo mais alto, a vista mais bonita, o beijo mais doce. Tenho um coração que quase me engole, uma força que nunca me deixa e uma rebeldia que às vezes me cega. Tenho um jeito de viver diferente, mas sou mansa com quem merecer. Não gosto de café morno, de conversa mole, nem de noite sem estrela. Sou bem mais feliz que triste, mas às vezes fico distante. E me perco em mim como se não houvesse começo nem fim nessa coisa de pensar e achar explicação pra vida. Explicação mesmo, eu sei: não há. E me agarro no meu sentir porque, no fundo, só meu coração sabe. E esse mesmo coração que me guia e não quer grades nem cobranças, às vezes me deixa sem rumo, com uma interrogação bem no meio da frase: O que eu quero mesmo?
Por isso, eu te peço (de um jeito meio sem-vergonha, que é assim que eu costumo ser): se eu gostar de você, tenha a gentileza de não me deixar tão solta. Não me pergunte aonde vou, mas me peça pra voltar. Sou fácil de ler, mas não tente descobrir porque o mesmo refrão insiste em tocar tanto. Se eu gostar de você, tenha a delicadeza de também gostar de mim. E me deixe ser, assim, exatamente como eu sou. Meio gato, meio gente. Desconfiada. E independente. E adoradora de todos os luxos e lixos do mundo.

domingo, 3 de outubro de 2010

E se dá um suspiro, um suspiro longo.
Era amor, paixão, loucura ou qualquer um desses sinônimos, antônimos ou seja-lá-o-que-for. Mas sabia que era.
E não tinha passarinhos verdes nem sorrisos bobos, as pessoas não passavam sorrindo cantando e dizendo bom-dia-que-lindo-dia-como-voce-está-bonita-hoje, ela mesmo não andava cantando e cheirando flores no caminho – muito embora cantarolasse aquela música que não saia da cabeça – mas ela sabia que era.
Porque a gente sempre sabe que é, embora muitas vezes não queremos admitir, queremos fugir, nos enganar etc etc etc porque amar ás vezes é tão bom que dói.
Dói porque a gente pensa: não quero que acabe, porque a gente já amou e acabou ou porque a gente nunca amou e tem medo de não saber amar.
Amor (loucura, paixão, o que mais?) era o que ela tinha naquele momento.
Pronto, falei, confessei, não fugirei mais. Ás vezes é tão mais fácil seguir o caminho, não? Sofrer sofreremos hora ou outra, sofreremos por estar sozinha quando todo mundo tem alguém, sofreremos porque não temos mais certo alguém que tínhamos a um minuto atrás.
Se jogou, foi o que disse ela. Mas não tinha ninguém garantir uma queda suave. Mas tinha alguém para se jogar junto, e não é isso que vale?
Pois tudo é sinônimo e antônimo mesmo.

sábado, 2 de outubro de 2010

A terapeuta dele, uma tia holística com voz de pata morrendo afogada, um belo dia abriu a porta do seu consultório para mim e, sem nunca ter me visto na vida e nem ouvido a minha versão, já foi logo dizendo "você estragou tudo sendo louca, quem te agüenta?"
Essa frase me acompanhou pelos últimos meses não me deixando dormir, comer, trabalhar, gostar, respirar ou sorrir direito. Pela primeira vez na vida eu tive vontade de morrer.
Mas hoje, enquanto trabalhadores são mortos confundidos com bandidos e o PCC ganha o direito de "negociar" com o país, mesmo o governo jamais admitindo isso, enquanto gente que morre de medo de perder o emprego precisa escolher entre o salário de merda e a vida de merda porque de um lado temos um governo incapaz de tranqüilizar a população e do outro uma mídia sensacionalista que já explodiu até o Shopping Iguatemi (por que não explodem o cérebro daquelas garotas modeletes lânguidas patricinhas que falam pelo nariz e conseguem tudo pelo silicone?), aproveito para fechar todas as minhas portas e me proteger da insanidade descontrolada do mundo. É chegada a hora do meu toque de recolher.
Começo fechando a porta do consultório da pata afogada, dizendo a ela que sim, ela tinha toda a razão: eu era realmente louca e insuportável. Mas que mulher não seria louca e insuportável ao lado de um homem que, sempre sorrindo para disfarçar que é humano, sempre em bando para disfarçar que sente fraquezas e sempre dormindo para disfarçar que está vivo, não tem a menor idéia do que quer fazer agora, daqui dez horas e daqui dez anos?
Que mulher não ficaria insana e desequilibrada ao lado de um homem que diz com a boca que ama mas não diz com os olhos, que diz com a boca que está ali para o que der e vier, mas não diz com os atos? Que mulher não ficaria infeliz e depressiva ao lado de um homem que não a beija na boca mais de quinze segundos porque o celular está tocando, que é incapaz de passar um feriado ao lado dela numa pousadinha bacana sem levar toda a trupe de meninos crescidos, que é incapaz de olhar nos olhos dela, um segundo que seja, e sentir que não precisa de mais nada?
Que mulher não piraria e não ficaria chata ao lado de um homem cheio de músculos mas sem nenhuma força para ser um homem melhor? Não, eu não queria o homem perfeito que eu idealizei não, eu só queria um homem de verdade. Um homem que namora de verdade, que ama de verdade, que tenta de verdade, que encara a vida de verdade, que sofre de verdade, que tem saudade de verdade, que tem dor de verdade, que é humano de verdade.
Não, sua pata véia afogada, eu não precisava de um pai, eu não precisava de cuidados 24 horas por dia, eu não precisava de alguém para me salvar, eu não colocava nele toda a minha felicidade, eu não queria mandar nele, eu não queria que ele deixasse de ver a Lua ou curtir o Sol, eu só queria que ele tivesse me amado metade do que ele disse que amava. Ou metade do que eu amava.
Que mulher não seria digna de uma camisa de força ao ver que o homem que ela ama é o maior de todos os homens por dentro, mas insiste em ser um idiota, cercado de coisas, palavras, musicas, lugares e pessoas idiotas, por fora? Que mulher não babaria tomando choques na cabeça, ao saber que o homem mais sensível, puro e lindo do mundo, insiste, por medo que o machuquem, em se fazer de invencível e cagar pro resto do mundo?
E por fim, eu pergunto a você minha querida super profissional patolina afogada: que mulher suportaria amar um homem que, incapacitado em fuder com a vida da mulher que fudeu com a dele, resolveu fuder com a minha que não tinha nada a ver com isso? Eu só queria ganhar uns beijos e alguns olhares de amor, só isso.
Chega, não quero mais essa culpa, esse inconformismo e essa incapacidade de não pensar nessa merda toda. Não quero mais essa fresta por onde entra tanto frio e tanta dor. Nesse momento, fecho a porta inútil do seu consultório escuro e aproveito para fechar também a porta entreaberta que ele deixou no meu coração.
Só ele conheceu uma mulher corajosa que admitiu todos os medos, todas as neuroses, todas as inseguranças, toda a parte feia e real que todo mundo quer esconder com chapinhas, peitos falsos, bundas falsas, bebidas, poses, frases de efeito, saltos altos, maquiagem e risadas altas. Ninguém nunca me viu tão nua e transparente como você, ninguém nunca soube do meu medo de nadar em lugares muito profundos, de amar demais, de se perder um pouco de tanto amar, de não ser boa o suficiente.
Só ele viu meu corpo de verdade, minha alma de verdade, meu prazer de verdade, meu choro baixinho embaixo da coberta com medo de não ser bonita e inteligente. Só para ele eu me desmontei inteira porque confiei que ele me amaria mesmo eu sendo desfigurada, intensa e verdadeira, como um quadro do Picasso.
Você varreu da sua vida de mesmices seguras, de calmarias estúpidas, de ideais banais, de auto-controles medrosos, de superficialidades controladas, de felicidades fáceis, de gostos iguais, de angústias disfarçadas, de ego machucado, de baladas tristes, de meninas fúteis, de praias iradas, de solidões acalmadas pelo sono, uma mulher com todos os defeitos e loucuras que só uma grande e verdadeira mulher que ama tem.
Hoje eu fecho as portas para o ódio descontrolado de quem passa fome ao lado de grandes mansões, fecho as portas da goela estridente da véia coroca que viu sem enxergar mas acabou me fazendo ver ainda melhor quem eu sou e ter orgulho disso, aproveito para fechar de vez, para você, as portas do meu coração que de tanto pedir esmolas, estava virando bandido.