"suas idéias não correspondem aos fatos..."
Pouco a pouco o vento bagunça meu destino, falar de dor, de arrendimentos, erros, amor, brigas, já não convém, a felicidade que estava limitada, agora, se vê mais presente. O que dói? Dói e pronto, o que é amor? É amor e pronto, o que é bom? É bom e vamos aproveitar! Os erros? Lamentações não concertam(...)
As verdades que eu guardei, os devaneios que pelas ruas da cidade se perderam, as vezes que te exorcisei de mim, já são incontaveis! S-e-n-t-i-m-e-n-t-o, sentimento assim descrito com discrição, ou não, já não dói, já não trasborda alegria, já não me faz sorrir ou chorar, já está anestesiado por você.
Quem me derá ao menos uma vez, ver de perto, você usar a indiferença que diz existir, e sentir o quão real ela é. Porque por tempos eu consegui ter certeza de algumas coisas, algo em você bate por mim e como um imã me aproxima, a sua raiva consiste em pessoas que fizeram assim ser, e uma parte de você me exorcisa, porém não sei o quanto isso te preenche.
E ainda assim, sem saber o que fazer ou dizer, melhor fazer alguma coisa, por que fazer nada? É HIPOCRISIA. É fingir desamor, onde o amor existe, o amor? está ali, mas ainda falta alguma coisa.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa.
[Caio F. Abreu]
[Caio F. Abreu]
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
" Eu sei, eu sei, o eterno clichê "isso passa". Passa sim e, quando passar, algo muito mais triste vai acontecer: eu não vou mais te amar. É triste saber que um dia vou ver você passar e não sentir cada milímetro do meu corpo arder e enjoar. É triste saber que um dia vou ouvir sua voz ou olhar seu rosto e o resto do mundo não vai desaparecer. O fim do amor é ainda mais triste do que o nosso fim. Meu amor está cansado, surrado, ele quer me deixar para renascer depois, lindo e puro, em outro canto, mas eu não quero outro canto, eu quero insistir no nosso canto. Eu me agarro à beiradinha do meu amor, eu imploro pra que ele fique, ainda que doa mais do que cabe em mim, eu imploro pra que pelo menos esse amor que eu sinto por você não me deixe, pelo menos ele, ainda que insuportável, não desista.
[ Tati Bernardi ]
[ Tati Bernardi ]
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Me dá um abraço? Quero esquecer a loucura do dia, a insanidade das pessoas, ironias e essa tal mania de achar que sendo leviano é tudo mais prático.
Quero dar algumas risadas, um pouco de atenção, preciso de pessoas que usem eufemismos para me dizer a verdade e deixem de omitir coisas importantes a mim com cinismo e sarcasmo, quero estar perto de ti para que meu mundo volte a girar no compasso certo, vem cá, seja assim, carinhoso, meigo, sincero com tudo que existe entre nós, afável. Assim nos teus braços poderei sentir aquilo de bom que me cerca, enquanto você me abraça a vida vira sorriso e agosto fica um mês mais leve de se levar.
Quero dar algumas risadas, um pouco de atenção, preciso de pessoas que usem eufemismos para me dizer a verdade e deixem de omitir coisas importantes a mim com cinismo e sarcasmo, quero estar perto de ti para que meu mundo volte a girar no compasso certo, vem cá, seja assim, carinhoso, meigo, sincero com tudo que existe entre nós, afável. Assim nos teus braços poderei sentir aquilo de bom que me cerca, enquanto você me abraça a vida vira sorriso e agosto fica um mês mais leve de se levar.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
É aquela velha história. Amor, pra mim, só dura em liberdade. Nasci pra ser livre e - quem quiser - que me deixe assim. Tenho dois pares de asas, um desejo infinito no peito e um lado druida que não se cala. Sou escorpiana.Sou guerreira. .Quero sempre o vôo mais alto, a vista mais bonita, o beijo mais doce. Tenho um coração que quase me engole, uma força que nunca me deixa e uma rebeldia que às vezes me cega. Tenho um jeito de viver diferente, mas sou mansa com quem merecer. Não gosto de café morno, de conversa mole, nem de noite sem estrela. Sou bem mais feliz que triste, mas às vezes fico distante. E me perco em mim como se não houvesse começo nem fim nessa coisa de pensar e achar explicação pra vida. Explicação mesmo, eu sei: não há. E me agarro no meu sentir porque, no fundo, só meu coração sabe. E esse mesmo coração que me guia e não quer grades nem cobranças, às vezes me deixa sem rumo, com uma interrogação bem no meio da frase: O que eu quero mesmo?
Por isso, eu te peço (de um jeito meio sem-vergonha, que é assim que eu costumo ser): se eu gostar de você, tenha a gentileza de não me deixar tão solta. Não me pergunte aonde vou, mas me peça pra voltar. Sou fácil de ler, mas não tente descobrir porque o mesmo refrão insiste em tocar tanto. Se eu gostar de você, tenha a delicadeza de também gostar de mim. E me deixe ser, assim, exatamente como eu sou. Meio gato, meio gente. Desconfiada. E independente. E adoradora de todos os luxos e lixos do mundo.
Por isso, eu te peço (de um jeito meio sem-vergonha, que é assim que eu costumo ser): se eu gostar de você, tenha a gentileza de não me deixar tão solta. Não me pergunte aonde vou, mas me peça pra voltar. Sou fácil de ler, mas não tente descobrir porque o mesmo refrão insiste em tocar tanto. Se eu gostar de você, tenha a delicadeza de também gostar de mim. E me deixe ser, assim, exatamente como eu sou. Meio gato, meio gente. Desconfiada. E independente. E adoradora de todos os luxos e lixos do mundo.
domingo, 3 de outubro de 2010
E se dá um suspiro, um suspiro longo.
Era amor, paixão, loucura ou qualquer um desses sinônimos, antônimos ou seja-lá-o-que-for. Mas sabia que era.
E não tinha passarinhos verdes nem sorrisos bobos, as pessoas não passavam sorrindo cantando e dizendo bom-dia-que-lindo-dia-como-voce-está-bonita-hoje, ela mesmo não andava cantando e cheirando flores no caminho – muito embora cantarolasse aquela música que não saia da cabeça – mas ela sabia que era.
Porque a gente sempre sabe que é, embora muitas vezes não queremos admitir, queremos fugir, nos enganar etc etc etc porque amar ás vezes é tão bom que dói.
Dói porque a gente pensa: não quero que acabe, porque a gente já amou e acabou ou porque a gente nunca amou e tem medo de não saber amar.
Amor (loucura, paixão, o que mais?) era o que ela tinha naquele momento.
Pronto, falei, confessei, não fugirei mais. Ás vezes é tão mais fácil seguir o caminho, não? Sofrer sofreremos hora ou outra, sofreremos por estar sozinha quando todo mundo tem alguém, sofreremos porque não temos mais certo alguém que tínhamos a um minuto atrás.
Se jogou, foi o que disse ela. Mas não tinha ninguém garantir uma queda suave. Mas tinha alguém para se jogar junto, e não é isso que vale?
Pois tudo é sinônimo e antônimo mesmo.
Era amor, paixão, loucura ou qualquer um desses sinônimos, antônimos ou seja-lá-o-que-for. Mas sabia que era.
E não tinha passarinhos verdes nem sorrisos bobos, as pessoas não passavam sorrindo cantando e dizendo bom-dia-que-lindo-dia-como-voce-está-bonita-hoje, ela mesmo não andava cantando e cheirando flores no caminho – muito embora cantarolasse aquela música que não saia da cabeça – mas ela sabia que era.
Porque a gente sempre sabe que é, embora muitas vezes não queremos admitir, queremos fugir, nos enganar etc etc etc porque amar ás vezes é tão bom que dói.
Dói porque a gente pensa: não quero que acabe, porque a gente já amou e acabou ou porque a gente nunca amou e tem medo de não saber amar.
Amor (loucura, paixão, o que mais?) era o que ela tinha naquele momento.
Pronto, falei, confessei, não fugirei mais. Ás vezes é tão mais fácil seguir o caminho, não? Sofrer sofreremos hora ou outra, sofreremos por estar sozinha quando todo mundo tem alguém, sofreremos porque não temos mais certo alguém que tínhamos a um minuto atrás.
Se jogou, foi o que disse ela. Mas não tinha ninguém garantir uma queda suave. Mas tinha alguém para se jogar junto, e não é isso que vale?
Pois tudo é sinônimo e antônimo mesmo.
sábado, 2 de outubro de 2010
A terapeuta dele, uma tia holística com voz de pata morrendo afogada, um belo dia abriu a porta do seu consultório para mim e, sem nunca ter me visto na vida e nem ouvido a minha versão, já foi logo dizendo "você estragou tudo sendo louca, quem te agüenta?"
Essa frase me acompanhou pelos últimos meses não me deixando dormir, comer, trabalhar, gostar, respirar ou sorrir direito. Pela primeira vez na vida eu tive vontade de morrer.
Mas hoje, enquanto trabalhadores são mortos confundidos com bandidos e o PCC ganha o direito de "negociar" com o país, mesmo o governo jamais admitindo isso, enquanto gente que morre de medo de perder o emprego precisa escolher entre o salário de merda e a vida de merda porque de um lado temos um governo incapaz de tranqüilizar a população e do outro uma mídia sensacionalista que já explodiu até o Shopping Iguatemi (por que não explodem o cérebro daquelas garotas modeletes lânguidas patricinhas que falam pelo nariz e conseguem tudo pelo silicone?), aproveito para fechar todas as minhas portas e me proteger da insanidade descontrolada do mundo. É chegada a hora do meu toque de recolher.
Começo fechando a porta do consultório da pata afogada, dizendo a ela que sim, ela tinha toda a razão: eu era realmente louca e insuportável. Mas que mulher não seria louca e insuportável ao lado de um homem que, sempre sorrindo para disfarçar que é humano, sempre em bando para disfarçar que sente fraquezas e sempre dormindo para disfarçar que está vivo, não tem a menor idéia do que quer fazer agora, daqui dez horas e daqui dez anos?
Que mulher não ficaria insana e desequilibrada ao lado de um homem que diz com a boca que ama mas não diz com os olhos, que diz com a boca que está ali para o que der e vier, mas não diz com os atos? Que mulher não ficaria infeliz e depressiva ao lado de um homem que não a beija na boca mais de quinze segundos porque o celular está tocando, que é incapaz de passar um feriado ao lado dela numa pousadinha bacana sem levar toda a trupe de meninos crescidos, que é incapaz de olhar nos olhos dela, um segundo que seja, e sentir que não precisa de mais nada?
Que mulher não piraria e não ficaria chata ao lado de um homem cheio de músculos mas sem nenhuma força para ser um homem melhor? Não, eu não queria o homem perfeito que eu idealizei não, eu só queria um homem de verdade. Um homem que namora de verdade, que ama de verdade, que tenta de verdade, que encara a vida de verdade, que sofre de verdade, que tem saudade de verdade, que tem dor de verdade, que é humano de verdade.
Não, sua pata véia afogada, eu não precisava de um pai, eu não precisava de cuidados 24 horas por dia, eu não precisava de alguém para me salvar, eu não colocava nele toda a minha felicidade, eu não queria mandar nele, eu não queria que ele deixasse de ver a Lua ou curtir o Sol, eu só queria que ele tivesse me amado metade do que ele disse que amava. Ou metade do que eu amava.
Que mulher não seria digna de uma camisa de força ao ver que o homem que ela ama é o maior de todos os homens por dentro, mas insiste em ser um idiota, cercado de coisas, palavras, musicas, lugares e pessoas idiotas, por fora? Que mulher não babaria tomando choques na cabeça, ao saber que o homem mais sensível, puro e lindo do mundo, insiste, por medo que o machuquem, em se fazer de invencível e cagar pro resto do mundo?
E por fim, eu pergunto a você minha querida super profissional patolina afogada: que mulher suportaria amar um homem que, incapacitado em fuder com a vida da mulher que fudeu com a dele, resolveu fuder com a minha que não tinha nada a ver com isso? Eu só queria ganhar uns beijos e alguns olhares de amor, só isso.
Chega, não quero mais essa culpa, esse inconformismo e essa incapacidade de não pensar nessa merda toda. Não quero mais essa fresta por onde entra tanto frio e tanta dor. Nesse momento, fecho a porta inútil do seu consultório escuro e aproveito para fechar também a porta entreaberta que ele deixou no meu coração.
Só ele conheceu uma mulher corajosa que admitiu todos os medos, todas as neuroses, todas as inseguranças, toda a parte feia e real que todo mundo quer esconder com chapinhas, peitos falsos, bundas falsas, bebidas, poses, frases de efeito, saltos altos, maquiagem e risadas altas. Ninguém nunca me viu tão nua e transparente como você, ninguém nunca soube do meu medo de nadar em lugares muito profundos, de amar demais, de se perder um pouco de tanto amar, de não ser boa o suficiente.
Só ele viu meu corpo de verdade, minha alma de verdade, meu prazer de verdade, meu choro baixinho embaixo da coberta com medo de não ser bonita e inteligente. Só para ele eu me desmontei inteira porque confiei que ele me amaria mesmo eu sendo desfigurada, intensa e verdadeira, como um quadro do Picasso.
Você varreu da sua vida de mesmices seguras, de calmarias estúpidas, de ideais banais, de auto-controles medrosos, de superficialidades controladas, de felicidades fáceis, de gostos iguais, de angústias disfarçadas, de ego machucado, de baladas tristes, de meninas fúteis, de praias iradas, de solidões acalmadas pelo sono, uma mulher com todos os defeitos e loucuras que só uma grande e verdadeira mulher que ama tem.
Hoje eu fecho as portas para o ódio descontrolado de quem passa fome ao lado de grandes mansões, fecho as portas da goela estridente da véia coroca que viu sem enxergar mas acabou me fazendo ver ainda melhor quem eu sou e ter orgulho disso, aproveito para fechar de vez, para você, as portas do meu coração que de tanto pedir esmolas, estava virando bandido.
Essa frase me acompanhou pelos últimos meses não me deixando dormir, comer, trabalhar, gostar, respirar ou sorrir direito. Pela primeira vez na vida eu tive vontade de morrer.
Mas hoje, enquanto trabalhadores são mortos confundidos com bandidos e o PCC ganha o direito de "negociar" com o país, mesmo o governo jamais admitindo isso, enquanto gente que morre de medo de perder o emprego precisa escolher entre o salário de merda e a vida de merda porque de um lado temos um governo incapaz de tranqüilizar a população e do outro uma mídia sensacionalista que já explodiu até o Shopping Iguatemi (por que não explodem o cérebro daquelas garotas modeletes lânguidas patricinhas que falam pelo nariz e conseguem tudo pelo silicone?), aproveito para fechar todas as minhas portas e me proteger da insanidade descontrolada do mundo. É chegada a hora do meu toque de recolher.
Começo fechando a porta do consultório da pata afogada, dizendo a ela que sim, ela tinha toda a razão: eu era realmente louca e insuportável. Mas que mulher não seria louca e insuportável ao lado de um homem que, sempre sorrindo para disfarçar que é humano, sempre em bando para disfarçar que sente fraquezas e sempre dormindo para disfarçar que está vivo, não tem a menor idéia do que quer fazer agora, daqui dez horas e daqui dez anos?
Que mulher não ficaria insana e desequilibrada ao lado de um homem que diz com a boca que ama mas não diz com os olhos, que diz com a boca que está ali para o que der e vier, mas não diz com os atos? Que mulher não ficaria infeliz e depressiva ao lado de um homem que não a beija na boca mais de quinze segundos porque o celular está tocando, que é incapaz de passar um feriado ao lado dela numa pousadinha bacana sem levar toda a trupe de meninos crescidos, que é incapaz de olhar nos olhos dela, um segundo que seja, e sentir que não precisa de mais nada?
Que mulher não piraria e não ficaria chata ao lado de um homem cheio de músculos mas sem nenhuma força para ser um homem melhor? Não, eu não queria o homem perfeito que eu idealizei não, eu só queria um homem de verdade. Um homem que namora de verdade, que ama de verdade, que tenta de verdade, que encara a vida de verdade, que sofre de verdade, que tem saudade de verdade, que tem dor de verdade, que é humano de verdade.
Não, sua pata véia afogada, eu não precisava de um pai, eu não precisava de cuidados 24 horas por dia, eu não precisava de alguém para me salvar, eu não colocava nele toda a minha felicidade, eu não queria mandar nele, eu não queria que ele deixasse de ver a Lua ou curtir o Sol, eu só queria que ele tivesse me amado metade do que ele disse que amava. Ou metade do que eu amava.
Que mulher não seria digna de uma camisa de força ao ver que o homem que ela ama é o maior de todos os homens por dentro, mas insiste em ser um idiota, cercado de coisas, palavras, musicas, lugares e pessoas idiotas, por fora? Que mulher não babaria tomando choques na cabeça, ao saber que o homem mais sensível, puro e lindo do mundo, insiste, por medo que o machuquem, em se fazer de invencível e cagar pro resto do mundo?
E por fim, eu pergunto a você minha querida super profissional patolina afogada: que mulher suportaria amar um homem que, incapacitado em fuder com a vida da mulher que fudeu com a dele, resolveu fuder com a minha que não tinha nada a ver com isso? Eu só queria ganhar uns beijos e alguns olhares de amor, só isso.
Chega, não quero mais essa culpa, esse inconformismo e essa incapacidade de não pensar nessa merda toda. Não quero mais essa fresta por onde entra tanto frio e tanta dor. Nesse momento, fecho a porta inútil do seu consultório escuro e aproveito para fechar também a porta entreaberta que ele deixou no meu coração.
Só ele conheceu uma mulher corajosa que admitiu todos os medos, todas as neuroses, todas as inseguranças, toda a parte feia e real que todo mundo quer esconder com chapinhas, peitos falsos, bundas falsas, bebidas, poses, frases de efeito, saltos altos, maquiagem e risadas altas. Ninguém nunca me viu tão nua e transparente como você, ninguém nunca soube do meu medo de nadar em lugares muito profundos, de amar demais, de se perder um pouco de tanto amar, de não ser boa o suficiente.
Só ele viu meu corpo de verdade, minha alma de verdade, meu prazer de verdade, meu choro baixinho embaixo da coberta com medo de não ser bonita e inteligente. Só para ele eu me desmontei inteira porque confiei que ele me amaria mesmo eu sendo desfigurada, intensa e verdadeira, como um quadro do Picasso.
Você varreu da sua vida de mesmices seguras, de calmarias estúpidas, de ideais banais, de auto-controles medrosos, de superficialidades controladas, de felicidades fáceis, de gostos iguais, de angústias disfarçadas, de ego machucado, de baladas tristes, de meninas fúteis, de praias iradas, de solidões acalmadas pelo sono, uma mulher com todos os defeitos e loucuras que só uma grande e verdadeira mulher que ama tem.
Hoje eu fecho as portas para o ódio descontrolado de quem passa fome ao lado de grandes mansões, fecho as portas da goela estridente da véia coroca que viu sem enxergar mas acabou me fazendo ver ainda melhor quem eu sou e ter orgulho disso, aproveito para fechar de vez, para você, as portas do meu coração que de tanto pedir esmolas, estava virando bandido.
Assinar:
Postagens (Atom)