quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Dizia a previsão do tempo que uma chuva iria cair resolvi me prevenir levando na bolsa um guarda-chuva, era um dia frio da estação de outono, você era o verão que ainda sem saber me aquecia e eu a garota prudente com medo de arriscar.
A temperatura estava realmente congelando meus sentidos - não só a temperatura. Eu estava com medo, tudo era perturbante, mas sem neurose, ainda dava para caminhar sobre as folhas secas caídas ao chão, ouvia os meus passos leves e o constante ruido do salto alto, as lágrimas secavam enquanto escorriam pela face e a chuva caia, esqueci que eu possuía um meio de me proteger e continuei caminhando, seguia pensando em tudo que vinha acontecendo, eu odiava isto mas vez ou outra era necessário.
Olhei em uma vitrine e vi que a maquiagem escorria junto as lágrimas, os cabelos já estavam sem formato e as roupas obtiveram a transparência que a água as dá, entretanto isso não me deixava nada aflita, eu estava irrevogavelmente apaixonada, preocupada e mal, parecia uma fase irresponsável de uma pessoa qualquer, ou uma neurose absurda, eu estava sorrindo, sorrindo e chorando, buscando as palavras que desapareciam com o tempo, com o vento, com a chuva, sem perceber cheguei na tua porta, eu estava ali, preparada - ou não.
Dentro de mim havia uma certeza, daquele momento não poderia passar, ainda assim, desci as escadas do prédio eu precisava de calma, de mais calma, precisava das palavras, na rua tomei uma bebida qualquer, levemente alcoolizada, eu dizia: "Mais uma dose, por favor", de repente, aquilo havia tomado conta de mim, fora de qualquer regra, de qualquer estilo de conversa que eu imaginava e planejava para nós, bati na tua porta, não lembro sequer de uma palavra e francamente? Tampouco me importo, afinal, deu certo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário